The Scrum Field Guide: Practical Advice for Your First Year

Este é um dos livros ao qual tomei conhecimento pela página dos top 100 agile books de 2012 do blog do Jurgen Appelo. É um livro que disparou para a sétima posição da lista e que me despertou a curiosidade de lê-lo. O livro for escrito por Mitch Lacey. Mitch é consultor ágil e tem sua própria empresa, chamada Mitch Lacey & Associates Inc. Ele ajuda empresas a obter ganhos através da adoção de princípios e práticas ágeis. Sua carreira profissional começou em 1991 em uma empresa de jogos de computadores. O livro relata as lições aprendidas mais significativas para equipes que estão em seu primeiro ano de projeto ágil. Neste post, vou relatar de forma incremental os pontos que mais me chamaram a atenção no livro.

O Scrum é simples, mas não é fácil

Este capítulo foi uma boa forma de começar a livro, pois afinal de contas o maior desafio no Scrum não está em seu processo, mas em sua cultura, na mudança de mentalidade. O Scrum vai contra tudo aquilo que se aprendeu em muitos anos de desenvolvimento waterfall. Dessa forma, nada mais lógico que tome um tempo para desaprender velhos hábitos e ajustá-los a uma nova realidade. Normalmente não é o Scrum que falha, mas as pessoas que falham em usar o Scrum, por isso da importância também da necessidade de coaching. Em uma história que Mitch conta neste capítulo, ele deixa claro que a primeira coisa a se fazer ao ensinar Scrum é fazer entender os valores, o framework, e a mudança de mentalidade que é necessário para ir adiante. Implementar Scrum requer que as pessoas estejam dispostas a fazer as seguintes mudanças:

  • Desenvolver um entendimento dos valores do Scrum;
  • Submeter-se a uma enorme e frequente mudança de mentalidade;
  • Planejar prevendo a mudança e adaptar quando ela ocorrer;
  • Tratar com questões que nascem repentinamente;
  • Incorporar práticas de engenharia ágil.

O Scrum é construído em cima de valores

Para que se entenda os valores, é necessário que se entenda o por que estamos fazendo o que estamos fazendo. Qualquer framework que vale a pena ser adotado é construído em cima de princípios e valores. Os valores por trás do Scrum são foco, respeito, comprometimento, coragem e “mente aberta”.

O Scrum requer uma mudança de mentalidade

Isso pode se resumir em uma única frase: “Você não pode resolver os problemas usando a mesma mentalidade de quando foram criados”, Albert Einstein.

O Scrum toma o caminho mais curto, não o caminho definido

Veja na imagem a seguir, se você percebe no meio do caminho que você pode pegar um atalho (do A pro B), por que não fazê-lo? Você não deveria ser punido por encurtar o caminho. Um caminho maior (do A pro B e do B pro C) indica, consequentemente, maiores custos. É como se você fosse obrigado a planejar sua viagem para a praia, mas não poder mudar o caminho caso encontre um trajeto mais curto ou menos congestionado. Mudanças acontecem e elas são fatos da vida.

Preste atenção agora na mudança de mentalidade entre o planejamento tradicional e o Scrum. No tradicional você é guiado por um plano, fixa as funcionalidades (seu trajeto até a praia) e estima seu custo e o prazo. No Scrum, você pode até fixar seu custo e seu prazo, mas o projeto é dirigido a valor e as funcionalidades são estimadas (isso é, se eu encontrar um caminho mais curto que me ajude no meu objetivo, ótimo).

Mas afinal, quando é adequado usar Scrum?

Projetos de software geralmente se encaixam em quatro diferentes áreas: simples, complicado, complexo e anárquico. Projetos simples são fáceis de entender e implementar, são construídos em cima de coisas conhecidas. Se você está em qualquer área diferente da simples você terá mudanças no projeto. Nesses cenários, a adoção do Scrum é mais recomendada, pois a mudança é certa que virá.

Mudar é difícil

Normalmente se mede a mudança pelas funcionalidades que foram esquecidas quando se estava desenvolvendo um produto, uma change request, nesses casos, indica que falhamos de alguma forma. O que normalmente não se entende é que a mudança é inevitável. Não temos bola de cristal e não podemos prever o futuro. Qualquer pessoa que almeje o sucesso, deveria aprender a abraçar a mudança. A figura a seguir mostra como ocorre a variação da produtividade ao longo do tempo até o novo status quo. Uma percepção importante é que a mudança é um investimento de longo prazo, inicialmente, talvez se pode experimentar uma produtividade ainda pior do que a atual, devido a ruptura do estado de conforto, o chaos se instaura, pois as pessoas ainda não sabem trabalhar perfeitamente dentro da nova realidade. Mas o investimento se paga ao longo do tempo, pois o novo status quo levará a uma melhor situação que o status quo atual.

De acordo com a experiência do autor, a maioria das equipes que implementaram Scrum necessitaram de pelo menos três meses para aprender o básico e começar a implementar. Na média, sugere que se planeje de três a seis meses a gestão da mudança, dependendo do grupo ao qual será feita a transição.

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